O corpo é meu!

Muito se fala sobre a Marcha das Vadias ter sua causa desvalidada pela maneira que as mulheres decidem protestar. Muito se comenta que não se adquiri respeito estando vestida com poucas peças de roupas, ou praticando top-less.

Já pararam para pensar que esta monitoração e vigilância sobre o corpo da mulher não ocorre da mesma forma com o corpo dos homens? Já ouviu alguma vez alguém dizer para um homem que ele deve “se dar ao respeito” por andar na rua sem camisa?

Ser mulher é algo difícil, quando se há tanta carga de machismo carregada na mente das pessoas, sem que elas se deem conta da própria opressão praticada.

Há uma mercantilização e algumas pré definições de como deve ser utilizado e quando o corpo da mulher pode ou não ser exposto. É de interesse da indústria da moda, cosmética e da mídia que apenas corpos perfeitos sejam visíveis em outdoors, comerciais, desfiles, novelas, revistas, fazendo uma distorção da realidade que conhecemos bem. Fazendo com que algumas de nós queiramos alcançar ideais de “beleza”, que não fazem parte da nossa realidade.

Uma marcha Feminista, onde com ela se iniciará um questionamento pessoal por quem integra e a vê passar, é isso que diferentes tipos de corpos expostos fazem pensar. É ver que uma mulher como eu, ou acima do meu peso aprendeu a se aceitar e não tem vergonha de estar fora do padrão escolhido como aceitável, ela também pode se expor, e esta exposição é subversiva, muitas vezes choca, muita gente se ofende e não sabe nem porque, não entende os gritos de liberdade, não entende que tirar as roupas que nos impõem serem vestidas é mostrar que todas podem se amar como são.

Então meu corpo não vai servir apenas se estiver no seu padrão, então meu corpo vai servir mais do que para procurar defeitos em frente ao espelho, meu corpo é instrumento de luta e vai fazer pessoas refletirem o motivo de sua exposição (ou não né, porque também tem muita gente com preguiça de pensar), meu corpo carregado de estrias, celulites, flacidez e história será minha arma contra o seu moralismo antiquado, que quer mandar sobre o que só eu tenho o direito de decidir.

É quando se expõe o que alguns podem pensar que são valores e moral, mas não passa de um machismo velado, ocultado sobre normas que mulheres devem seguir, normas impostas por quem?

Se ainda continuam achando que minha luta é menor porque meu corpo está exposto, que mereço menos respeito por isso, tenha certeza que por este mesmo motivo continuarei lutando e me expondo o quanto achar necessário, pois RESPEITO é direito de todos, independentemente da forma que se está vestido, independentemente se alguém está vestido ou não.

Se você acha que uma mulher pode ser desrespeitada pelo tamanho da sua saia, que alguém “pede” para sofrer abuso sexual por se vestir como quer, então é por isso que a marcha vai caminhar passando por cima do seu machismo, gritando bem alto O CORPO É MEU, e fazemos com ele o que bem entendermos.