Aconteceu – Marcha das Vadias Guarulhos 2013

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Era Oito de Junho de 2013 no Marco Zero da cidade de Guarulhos, não era uma tarde comum na igreja Matriz, uma parede de carros policiais e religiosos rodeavam a igreja. Uma carta foi enviada pela arquidiocese às autoridades, solicitando que a marcha fosse removida daquele local ou que providenciassem proteção para que o “solo sagrado” não fosse invadido. Alguns policiais que estavam na concentração mexiam e piscavam com as meninas da marcha, outros questionaram o trajeto e o horário da marcha.

Era um ato como todos outros, faixas e cartazes com palavras de ordem e protestos eram feitos e empunhados e ninguém entendia o porquê de tamanha “proteção” em volta da igreja. Foi feito um jogral relembrando vitimas de violência. As 16h a marcha saiu, caminhando pelo calçadão da Av. Dom Pedro II, pessoas questionavam e se informavam sobre o que ocorria. Tudo acontecia pacificamente.

A marcha parou em roda, megafone aberto para depoimentos, mulheres se manifestavam contando o motivo de estarem na marcha, relatando casos de violência que sofreram tal como amigas e parentes. Um policial interrompe o momento e questiona sobre uma manifestante que fazia topless, alegando que ela seria presa se não se vestisse, a policia partiu em direção a manifestante de topless, então todos os outros manifestantes se posicionaram em frente à garota, que conseguiu se afastar, logo em seguida partiram para cima de outra manifestante completamente vestida que estava fazendo uma faixa, violentamente puxaram-na pelo pescoço sem alegar motivo algum enquanto todas perguntavam qual era a acusação e tentavam impedir a prisão.

A manifestante foi levada para o primeiro DP e a marcha seguiu juntamente para a delegacia. Impediram que houvesse alguma companhia para a garota detida, não repassavam quase nenhuma informação. Em frente à delegacia como protesto foi organizado um “peitaço” com as manifestantes que permaneciam em vigília, neste momento nenhuma manifestante foi presa. Minutos depois os policiais chamaram a primeira manifestante que havia feito top-less para “conversar” e a detiveram também.

Durante todo o tempo que as garotas permaneceram na delegacia ouviram ofensas, foram assediadas ouviram que eram feias, que eram mal educadas e que não queriam colaborar, pois decidiram esperar a chegada de um advogado que não foi oferecido. Enquanto quem permanecia em vigília também ouvia ameaças dizendo que “bastava uma bomba” para dispersar as manifestantes da porta do DP.

Depois de aproximadamente quatro horas, as manifestantes assinaram o termo de compromisso e foram liberadas, seguindo para o Hospital Médico de Urgências  para fazer exame médico, pois tinham marcas pelo corpo devido à truculência policial.

Não foi cogitada a possibilidade de protestar no entorno ou dentro da igreja. Ficou claro que a força policial não era para nos proteger. A marcha estava a mais de 200 metros da igreja quando houve a primeira prisão. A autoridade policial se moveu conforme o pensamento da carta escrita pelo pároco Antônio Bosco da Silva, interrompendo o nosso direito de gritar por liberdade e pela autoridade sobre os próprios corpos.

A marcha viu de perto o que o patriarcado faz todos os dias com as mulheres em delegacias, o quanto o nosso estado não é laico e a caça as bruxas que ocorre em 2013, pois mulheres dizendo o que pensam é ameaça passível de uso de violência.

Será convocado novo ato. Amanhã vai ser maior.

Coletivo Marcha das Vadias Guarulhos.

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